Notícias

Os três castigos anunciados por Nossa Senhora no Brasil

Pe. Júlio Maria de Lombaerde (1878 – 1944)

A primeira edição deste livro estava no prelo quando tive notícia de uma das aparições de Maria Santíssima no norte do Brasil. A notícia foi-me transmitida por um sacerdote exemplar, incapaz de ilusão ou de fraude. Preferi esperar e deixar para mais tarde a divulgação do fato, que a autoridade eclesiástica, sempre prudente e justamente desconfiada, conservava secreta, para evitar precipitações ou juízos mal fundados.

Eis que perto de dois anos depois, um amigo enviou-me uma revista alemã, de responsabilidade e de orientação segura: Konnesreuthes Jahrbuch – 1936, onde encontrei a narração resumida, mas completa, destas aparições.

É desta revista que traduzo o fato, sem mudar nem acrescentar uma vírgula. Achei as aparições revestidas de todos os requisitos de veracidade, cabendo à autoridade eclesiástica pronunciar-se a respeito, o que cedo ou tarde ela fará, seguindo como sempre segue, as normas do tempo e da prudência.

Sendo aparições e revelações privadas, estas têm apenas um valor humano, e merecem só uma fé humana; porém mesmo assim vale a pena citá-las e meditá-las, porque se a mesma credulidade é um mal, a incredulidade sistemática é um mal maior.

Haverá qualquer coisa de tão singular numa aparição da Mãe de Deus em terras brasileiras? Não somos nós uma nação consagrada à Virgem Imaculada da Aparecida? Não somos nós, também, um povo amoroso e dedicado ao culto de nossa Mãe Celeste?

Se ela se dignou mostrar-se um dia em Lourdes, La Salette, Pontmain, Pellevoisin, na França; em Fátima (Portugal) e ultimamente em Bauraing e Baneaux, na Bélgica, porque ela não se mostraria também no Brasil, dando-nos deste modo, uma prova de seu amor maternal e da sua solicitude para com o povo brasileiro?

Cada um poderá acreditar ou não acreditar nos fatos aqui narrados. A Igreja nada determinou; há, pois, liberdade de aceitá-los ou de rejeitá-los; como há liberdade de silenciar os fatos ou de publicá-los.

É apoiado sobre esta liberdade, sem querer adiantar os julgamentos da autoridade eclesiástica, que aqui publico a tradução da Revista de Koeningsreuth.

 

I. PRIMEIRA APARIÇÃO

Maria Santíssima apareceu ultimamente num lugarejo do norte, em agosto de 1936. Se omito o nome do lugar, é atendendo aos desejos das autoridades eclesiásticas. Era a 6 de agosto de 1936.

Duas meninas foram mandadas ao campo a fim de colher mamona. Uma chama-se Maria da Luz, a outra Maria da Conceição. Esta é de família pobre e conta 16 anos de idade, filha de um empregado do pai de Maria da Luz.

Na ocasião das aparições, aquelas redondezas eram perturbadas por bandos de gatunos que roubavam e saqueavam a valer, causando grande inquietação nos habitantes.
Durante esta saída, Maria da Conceição, perguntou a sua companheira: “Que farias se os ladrões nos encontrassem agora?”

– Ficaria muito quieta, pois Nossa Senhora nos protegeria, respondeu Maria da Luz.

Casualmente aquela, olhando para uma montanha próxima, exclamou: “Veja lá uma Senhora”. De fato lá se achava uma Senhora que as chamava por acenos, tendo nos braços um belo menino.

Do lado em que as meninas estavam, era impossível a subida: as rochas e ramos emaranhados impediam a passagem; foi-lhes necessário tomar um desvio, passando perto de sua casa para poderem subir com mais facilidade. Como fossem onze horas da manhã, a mãe de Maria chamou-as para almoçarem. Elas não quiseram ir, contando o que tinham visto e queriam seguir o caminho até aquele lugar.

A mãe – boa senhora, vice-presidente do Apostolado da Oração – disse muito simplesmente: “É história, venham almoçar.” Neste momento, chega o pai, Arthur Teixeira, para almoçar. As meninas sentadas de fronte à casa, falavam sobre aquela senhora tendo a criança nos braços, a qual lhes acenara. A janela estando aberta, a mãe de Maria da Luz ouviu a conversa e narrou-a ao pai desta.

O sr. Arthur pediu-lhes que contassem o que haviam visto; as meninas lhe disseram tudo, asseverando com tal segurança que ele quis acompanhá-las. Tomando de uma foice, começou a limpar o caminho, quando, quase sem saber como, as meninas já haviam alcançado o cume do monte.

De lá as meninas lhe gritavam, apontando em direção de uma pedra branca. Com dificuldade ele alcançou o alto, mas nada via do que lhe diziam.

Entretanto, a mãe não ficou tranquila em casa; trouxe consigo as crianças, em número de cinco ou seis. Destas últimas, ninguém conseguiu ver coisa alguma.

Apesar das meninas sustentarem que viam diante de si uma senhora com um menino, o pai, para mais segurança, mandou que elas lhe perguntassem o que desejava.

Perguntaram e a visão respondeu: “Minhas filhas, virão tempos calamitosos para o Brasil! Dizei a todo o povo que se aproximam três grandes castigos, se não fizer muita penitência e oração.”

Restava-lhe muito que dizer ainda, mas ficou para mais tarde. As notícias corriam de boca em boca e os homens se aglomeravam naquele lugar onde fora vista aquela senhora com a criancinha, esperando ver qualquer coisa, mas nada viam.

II. PRIMEIRAS AVERIGUAÇÕES

Entretanto, o vigário da Paróquia mandou chamar o pai de Maria da Luz, aconselhando-lhe que trouxesse a menina a fim de participar do retiro espiritual das Filhas de Maria, desde o dia 10 a 15 de agosto, preparando-se então para a primeira comunhão. Nesta ocasião o pai poderia estar com o sr. Bispo.

Mas não foi somente esta a singular aparição da Senhora. Na passagem diária das meninas naquele lugar, ela lhes aparecia.

As opiniões eram, como só acontecem em tais casos, sempre divididas; uns acreditavam, outros zombavam.

As advertências de Nossa Senhora eram reiteiradas: pedia sempre e insistia que era preciso rezar; senão seu Filho castigaria severamente o País.

Certo dia houve um garoto naquele lugar, que atirou uma pedra em direção à aparição. As meninas disseram que a pedra atingiu a mão de Nossa Senhora e que jorrava muito sangue.

Como dizíamos, atendendo o pedido do vigário, o pai levou a menina ao sr. Bispo, mas este mandou seu secretário ouvi-la, pois estava muito ocupado.

Após a audiência, o padre disse: “Vocês estão enganadas.” Porém Maria da Luz sustentou a palavra. Terminou-se a conversa entregando o padre umas perguntas, das quais ela devia pedir resposta à Senhora e enviá-las em seguida, na primeira ocasião, por escrito.

A menina enviou a resposta pedida. Apesar de ela ser um tanto atrasada, não houve a menor inexatidão. Eram as seguintes as perguntas formuladas:

1 – Quem pode mais que Deus?
2 – Quantas pessoas há em Deus?
3 – Quais são estas pessoas?
4 – Em nome de Deus dizei quem sois e que quereis?
5– Quereis falar com um padre?
– Que significa o sangue que jorra da vossa mão?

Após dois dias, o padre recebeu da menina as seguintes respostas:

1 – Ninguém.
2 – Três.
3 – Pai, Filho e Espírito Santo.
4 – Sou a Mãe da graça e venho avisar ao povo que se aproximam três grandes castigos.
5 – Sim.

Então a menina perguntou com qual padre, enumerando diversos. A aparição respondeu:
– Quero falar com o padre que lhe fez estas perguntas.

6 – Representa o sangue que será derramado no Brasil.

Estas respostas fizeram o Padre refletir e decidir-se ir àquele lugar para examinar se encontraria provas ou se eram ilusões ou falsidades.

III. APARIÇÃO DE JESUS E MARIA

O lugar das aparições – “Guarda” – é localizado num alto, circundado de montanhas. Em baixo da montanha, num vale, está a casa dos pais de Maria da Luz, a 500 metros de distância. A subida é muito penosa.

“Só com muita dificuldade cheguei em cima, escreve o sacerdote. Foi-me necessário tirar os sapatos para poder subir. O calor era insuportável. Numa distância de 40 a 50 metros, divisei o lugar das aparições e as duas meninas com o pai, os quais já estavam em cima; elas me diziam que a Senhora olhava para mim de cima, enquanto eu subia.

– Que está fazendo a aparição? – perguntei.

– ‘Está sorrindo’, disseram elas.

Eu olhei primeiro, examinando o que havia por ali: tudo era pedra e entulho; na nossa frente estava um formidável abismo; no lugar das aparições notava-se um como número em forma de quatro (4); ao lado esquerdo outros números como um (1-1); no meio, uma linha branca, um pouco mais alta, que se podia alcançar só por meio de uma escada.

– ‘Lá está a aparição’, diziam as meninas; mas eu nada via. Sob a pedra que se achava diante de mim, numa abertura, corria um pouco d’água.

Perguntei ao pai de Maria da Luz se aquela água sempre existiu ali. Ele me disse: ‘não; mas como muitos não acreditassem nas aparições, as meninas pediram um sinal; desde então começou a brotar água’.

Fiquei em cima com Maria da Luz e pedi que Maria da Conceição, com o sr. Arthur, se retirasse um pouco abaixo, na montanha. Assim eles dois nos podiam ver, mas não ouvir. Então, eu disse à Maria da Luz: – ‘Dize-me agora a verdade e não pregues mentiras, pois do contrário serás infeliz para toda a tua vida’.

Eu queria fazê-la confessar que nada via. Ela, porém, permaneceu inabalável. Quando eu perguntei o que a aparição estava fazendo, disse-me ela, olhando em direção do lugar:

– ‘Ela olha para cá e está sorrindo’.

– ‘Agora dize-me: como está Ela?’

Maria da Luz olha e diz:

– ‘Vejo uma bela Senhora, cujo vestido é creme, quase como vosso capote. O manto é azul celeste, pendendo do pescoço, onde está seguro por uma fivela, com pedras preciosas. Num braço está a criança’.

 – ‘Em que braço? No direito ou no esquerdo?’

A menina não sabia distinguir o braço direito do esquerdo. Fez uma vira-volta com o corpo e mostrou-me o braço esquerdo.

– ‘Ela, como o menino, traz uma coroa de ouro na cabeça’, disse-me a jovem.

– ‘E a outra mão?’ – perguntei.

Fez então uma nova vira-volta (apontando-me) mostrando-me o braço direito estendido para baixo.

– ‘A criancinha enlaça o pescoço da mãe com o bracinho direito”, disse ela, dando uma vira-volta e apontando o braço. A senhora tem na cinta uma fita da mesma fazenda e da mesma cor que a do vestido. Vejo somente um dos pés.

– ‘Qual deles?’ – perguntei.

Ela mostrou o pé direito, fazendo outra vira-volta.

– ‘Atrás da Senhora vê-se um bonito oratório com duas torres fechadas. O oratório, que tem a forma de uma casinha, tem pedras preciosas nas suas torres’.”

IV. NOVAS INVESTIGAÇÕES

“Chamei então o pai com a outra menina, ao qual, tendo chegado, eu disse: ‘o senhor tome Maria da Luz e vá ficar no mesmo lugar. Eu fico com Maria da Conceição’.

– ‘Compreendeste alguma coisa do que eu disse a tua companheira?’, perguntei à moçinha.

– ‘Não senhor’, disse ela.

Então eu lhe disse: ‘Maria da Luz já me disse tudo e confessou a verdade: tudo o que vós arranjastes é mentira e invenção. Agora quero que me digas também a verdade: não é certo que nada vês?’ A menina ficou como aterrorizada e olhando para o ponto das aparições, disse-me em tom choroso: ‘Se Maria da Luz disse isto ou não, eu não sei; mas agora eu vejo a Senhora como antes’.

Procurei embaraçá-la por meio de muitas perguntas, a fim de averiguar se era imaginação. ‘Eu que sou padre, nada vejo! Tu que nada és, dizes que vês Nossa Senhora?’ Ela permaneceu sempre firme.

– ‘Está bem – disse eu – dize-me o que vês agora’.

Ela narrou tudo minuciosamente e fielmente como a sua companheira.

Quando ela indigitava o lugar da aparição no ponto, eu dizia, para experimentá-la: ‘Maria da Luz me disse que é noutro lugar, lá do outro lado’. Então ela olhava para o lugar que eu dizia e respondia: ‘Não, eu vejo Nossa Senhora naquele lugar branco. No lugar que Maria da Luz indicou ao senhor, eu nada vejo.’

Não encontrei sequer uma contradição no que as meninas me diziam.

Chamei então Maria da Luz – deixando o pai onde estava – e perguntei a ambas se viam a Senhora. Ambas responderam: ‘Sim, vemos’

– ‘Perguntem a Nossa Senhora se ela me vê’, disse eu. Perguntaram, e Ela respondeu que sim.

– Perguntem a Nossa Senhora se eu posso formular algumas perguntas numa língua estrangeira.

– ‘Sim’, responderam, por Ela.

Fiz então umas oitenta ou noventa perguntas em alemão, que as meninas não compreendem e recebi todas as respostas certas. Eu recebia as respostas por intermédio das meninas, em português, fielmente conforme eu perguntava em alemão, como: ‘Wer bist du?’ (quem sois vós?) – ‘A Mãe do Céu’. ‘Wie heisst das Kind auf deinem Arm?’ (como se chama a criança em seu braço?) – ‘Jesus’.

– ‘Porque apareceis aqui?’
– ‘Para avisar ao povo que três grandes castigos cairão sobre o Brasil’.
– ‘Quais são os castigos?’.
Não respondeu, fazendo sinal com a mão para fazer entender, ou que não podia falar, ou que não queria.
– ‘Podeis então dizê-lo mais tarde?’
– ‘Sim’.
– ‘Por que não dais um sinal visível, para que o mundo possa ver que sois a Mãe de Deus?’
– ‘Já o dei’.
– ‘Qual é o sinal?’
– ‘A água que está correndo em baixo’.
– ‘Para que serve esta água?’
– ‘Para remédio’.
– ‘Para todas as doenças?’
– ‘Sim, mas para quem tem fé’.
– ‘Quem quiser pode tirar daquela água?’
– ‘Não, só as duas meninas’.
– ‘Porque não podem tirar quem quiser?’
– ‘Para que todos creiam’.”

 Cortemos aqui as respostas, para destacar bem o que segue, pois é a parte essencial das revelações da Mãe de Deus.

V. AMEAÇAS E REMÉDIOS

     O Sacerdote continua o mesmo interrogatório, penetrando cada vez mais no âmago das questões palpitantes que a Virgem Santa quer revelar.

– Qual é o fim da vossa aparição aqui?
– Avisar que três grandes castigos virão sobre o Brasil.
– Quais castigos?
De novo ela fez sinais, fazendo entender que não podia ou não queria falar.
– Que é necessário fazer para desviar os castigos?
– Penitência e oração.
– Qual a invocação desta aparição?
– Das Graças.
– Que significa o sangue que corre das vossas mãos?
– O sangue que inundará o Brasil.
– Virá o comunismo a penetrar no Brasil?
– Sim.
– Em todo o País?
– Sim.
– Também no interior?
– Não.
– Os padres e os bispos sofrerão muito?
– Sim.
– Será como na Espanha?
– Quase.
– Quais são as devoções que se devem praticar para afastar estes males?
– Ao Coração de Jesus e a mim.
– Não basta só uma?
– Não.
– Quereis que se pregue sobre este assunto?
– Sim.
– Permiti-lo-ão as autoridades eclesiásticas?

Fez um gesto como se não quisesse dizê-lo.

– Darão licença mais tarde?
– Sim.
– Quereis que se construa uma igreja aqui?
– Não.
– Quereis mais tarde?
Fez os mesmos gestos.
– Esta aparição é a repetição de La Salette?
– Sim.
– Haverá uma romaria aqui?
– Sim.
– Por que apareceis neste lugar, cuja subida é tão difícil?
– Para o povo romeiro poder fazer penitência.
– Quanto tempo faz que estais aqui?

Fez um gesto com o dedo, com se quisesse dizer: “há muito tempo”.

– Se sois a Mãe de Deus, então dai-nos vossa benção.

Instantaneamente as duas videntes exclamam: “Olha lá!!! Está nos abençoando”… e fizeram o sinal da cruz.
– Se sois a Mãe de Deus e a criança é o Menino Jesus, manda que Ele nos dê a benção.

Neste momento, as duas pobres camponesas, admiradas e transportadas de júbilo, exclamaram: “Ele já sabe dar a benção também!” Fizeram mais uma vez o sinal da cruz.

Uma das meninas exclamou ainda: “Agora vimos a outra mãozinha do menino. Até agora ela estava enlaçada ao pescoço da Mamãe. Ele estende para o senhor os dois bracinhos.”

Fiz ainda muitas perguntas, obtendo respostas certas.

Descendo eu, disse às duas meninas: “Agora vejam se a Senhora ainda está lá”. Responderam ambas: “Sim, Ela está em frente de sua casinha, abençoando-nos”.
– Para que tanta benção? disse eu, como se estivesse amolado e em tom grave.
As meninas ficaram trêmulas e atemorizadas.
– Pergunta a Ela, para que tanta benção!
– Para que sejais felizes, disse Ela.

Perguntei de novo, em alemão: “Somente as duas ou eu também?”

Responderam elas: “Para o senhor também”.

Tudo o que vi impressionou-me muito, excedendo as minhas expectativas. Umas das perguntas versou sobre os acontecimentos de Konnesreuth, perguntando se aqueles fatos eram de Deus ou do demônio.
– “É de Deus”, disse a aparição.

VI. PROVIDÊNCIAS E OPOSIÇÕES

As providências do Bispo foram as seguintes: que as meninas fossem examinadas pelo médico. Procedeu-se ao exame e averiguou-se que ambas são completamente sãs.

A aparição repetia-se. Mas as contradições surgiam à medida que se falava nas aparições.

A água corria constantemente, em pouca quantidade, e como que saindo da pedra.

Começaram as curas extraordinárias; foi pena que os médicos não fossem avisados para examiná-las. Em todo o caso, o povo dá veracidade aos fatos e neles crê.

Opinam que tenha havido profanação da fonte, embora não se saiba ao certo; e Nossa Senhora pediu que se fizesse um muro ou uma cerca, pois só as almas contritas e piedosas podiam assim aproximar-se a fim de fazerem orações e penitências.

Fez-se a cerca, visto as pessoas se aglomerarem sempre mais em romaria. Veio a polícia e derrubou a cerca. Imediatamente secou a água até então corrente.

O sacerdote mandou de novo construi-la e fechou as portas; logo depois a água brotou.

Após oito dias veio a polícia novamente, destruiu a cerca e, como na outra vez, desapareceu a água.

Falou-se que houvera sido o Bispo quem mandou a polícia.

Este negou-o, dizendo que não sabia de nada.

A aparição repetidas vezes veio e as meninas afirmaram que a Senhora lhes dissera: “Tenham paciência; as coisas que vêm de Deus são mesmo assim”.

Mandou então o padre que as meninas perguntassem a Nossa Senhora quem havia mandado os soldados, e a resposta foi esta: “Quem mandou foi um padre!”

Quinze dias depois, uma carta das meninas chegou, dando-me o nome do culpado.

Entretanto, a água não corria mais naquele lugar, mas um pouquinho acima. As meninas afirmaram que tinham pedido a Nossa Senhora para fazer a água sair novamente; então começou a correr.

Nossa Senhora recomendou que não se dissesse isto a qualquer pessoa, para que só os bons recebessem da água.

 

Maria da Luz entrou num colégio, a pedido de Maria Santíssima, para mais tarde, após ter adquirido um pouco de instrução, entrar no convento. A aparição pediu que as despesas necessárias fossem feitas pelo Padre, autor daquelas perguntas.

Maria da Conceição está ainda com seus pais, em casa: parece-me que ela nunca mais viu a aparição.
Outro fato sobre Maria da Luz: em todas as festas de Nossa Senhora, ela a viu na montanha de Guarda.

Certo dia, perguntando algo a Nossa Senhora, recebeu esta resposta: “Nunca mais me manifestarei aqui em Guarda e os três castigos não virão já, porque o povo está melhor; mas é necessário ainda rezar muito e fazer penitência”.

Recomendou de novo a devoção ao Coração de Jesus e a Ele.

VII. CONCLUSÃO

 Tal é a narração publicada na revista Koenigsreuth. As relações escritas que me foram transmitidas, sendo recolhidas dos lábios do próprio sacerdote que formulou as perguntas são mais extensas, porém a narração acima é o resultado fiel do conjunto, e outros pormenores nada de essencial ajuntam ao fato.

 _________

 

 Fonte: http://www.sacralidade.com/igreja2008/0178.castigos.html

*Padre Júlio Maria de Lombaerde. O Fim do Mundo está próximo! Prophecias antigas e recentes. Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro, 2ª edição, 1939, cap. VI, pp. 71 e ss.  Nihil obstat dado pelo Cônego José de Lima em 10 de julho de 1936, e Carta de Aprovação do Bispo de Caratinga, de 31 de julho de 1936.

A Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo

Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo de Deus, por Quem foram feitas todas as coisas, ao criar o homem, desde o início lhe havia conferido um destino sobrenatural. É fato que lhe havia dito para sujeitar a terra e exercer seu domínio “sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra”, como se atesta no Gênesis. Porém, todos esses objetivos naturais foram pensados por Deus como fins intermediários que se destinariam essencialmente a um Fim Último, que não é outro senão Deus mesmo.

Mesmo com a entrada do pecado no mundo e a conseqüente perda do estado de justiça original, Deus, em Sua Infinita Sabedoria e Misericórdia, para livrar-nos de nossa miséria e de nosso terrível destino, fez-Se Carne e habitou entre nós, remiu nossos pecados mediante Sua Dolorosa Paixão na Cruz, e nos justificou diante do Pai, mas não apenas isso: mediante Sua Paixão, Morte e Ressurreição, Cristo funda a Igreja Católica e abre novamente para nós o caminho de união com Deus pela instituição dos sacramentos, que são canais da Graça Divina operados materialmente, para assim podermos seguramente participar de Sua Natureza, herdar o Reino de um Pai Amorosíssimo e obter plenamente a filiação Divina.

Nosso Senhor é, então, Verdadeiro Rei. Rei por direito de natureza, pois sendo Cristo de condição Divina, Uno em Divindade com o Pai e o Espírito Santo, possui governo sobre o mundo, domínio supremo sobre todas as criaturas, que por Ele foram feitas e Para Ele se destinam. Ele é Rei com pleno direito de todas as atividades próprias do homem, por meio de Sua União Hipostática presente pela Sua Encarnação. Cristo é Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem; todos os atos realizados por Sua Humanidade Santíssima ordenam-se à Sua Divindade e assim adquirem valor infinito, santificando e possibilitando a santificação – mediante o exemplo e operação de Sua Graça – de todos os atos humanos feitos n’Ele, com Ele e por Ele. Por conseguinte, toda situação concreta adquire sentido Redentor quando feita em Cristo, com reta intenção, para a Glória de Deus e Salvação das almas.

Ele é Rei por direito adquirido mediante o resgate do gênero humano, pago com Seu Preciosíssimo Sangue redentor, que salvou a humanidade do pecado e da morte eterna. Só n’Ele há verdadeira Vida, perdão dos pecados e ressurreição; n’Ele, Mestre e Rei dos indivíduos, das famílias, das nações, Rei do Universo. Como ensina o Papa Pio XI, na encíclica Quas Primas, a realeza de Cristo manifesta um triplo poder: Judiciário, Executivo e Legislativo. Realeza de natureza espiritual e temporal, sendo a segunda um reflexo da primeira e essencialmente subordinada à primeira, que constitui a parte principal Seu reinado.

O Reinado Social de Jesus Cristo não é um mero costume, uma mera festa, sem conseqüências práticas e apostólicas. É uma realidade espiritual fundamental a ser observada de forma indispensável. Quis Deus a cooperação do homem para n’Ele tudo instaurar, participando de Sua missão salvífica e disseminando seus abundantes frutos em todos os cantos da Terra. Assim ensina a Doutrina Infalível da Santa Madre Igreja.

Vive-se num tempo de crise espiritual grave. O pecado faz-se institucionalizado como nunca antes. Há mais ou menos três séculos que os inimigos da Cruz realizam um trabalho sem descanso de expulsão de Deus da vida pública. Quase todas as instâncias da vida em sociedade andam arquitetadas para afastar o homem do seu Criador, a fim de que este perca sua alma, não permitindo o influxo da Graça pela ausência de reta disposição das realidades naturais de acordo com o fim último sobrenatural para o qual foi o homem criado por Deus. A defesa da Fé na esfera temporal nunca se fez tão urgente e necessária num tempo em que o florescimento humano na sua integralidade se vê interditado pelo neopaganismo, por um laicismo ora camuflado, ora evidente, pelas ideologias liberais, coletivistas e materialistas, que não fazem outra coisa senão criar caricaturas da realidade, uma falsa noção do homem e ficções sociais que visam apenas distanciá-lo da busca de seus legítimos fins e, portanto, de sua verdadeira felicidade (de caráter transcendente).

É neste intento que surge a Liga Cristo Rei, para formar bons leigos católicos, cientes de que Deus nos chama a lutar por Ele em todos os setores da vida, instaurando em todos os atos propriamente humanos – na cultura, política, pedagogia, em todas as artes, ofícios e ciências – o jugo suave do Cristo e de Sua Santa e Amorosa Lei. Numa vida geral, comum, na vida de cada dia. Pois o Reino de Deus é como “um semeador que joga a semente em terra boa e dá fruto”: a parábola enfatiza o princípio teológico no qual a Graça supõe a natureza, para apenas depois aperfeiçoá-la. Sem que antes preparemos o terreno, sem a disposição das realidades naturais ordenadas para a Graça, esta não logra sua eficácia, e nossas atividades vêem-se fadadas a permanecerem presas no plano da imanência; sem valor salvífico, corrompem-nos, tornam-se vãs e frustrantes causas de perdição.

 

É necessário adquirir anticorpos intelectuais, sociais e espirituais e somente ao realizar este objetivo, estar-se-á preparado para enfrentar esta corrente de apostasia e impiedade, combatendo as máximas mundanas, da carne e do demônio que são radicalmente opostas às máximas eternas.

A instauração da Realeza Social de Nosso Senhor, removendo as estruturas de pecado e substituindo por estruturas de virtudes humanas e teologais, conferindo sentido de eternidade aos diversos bens humanos na esfera temporal e civil, ordenando-os sempre ao Bem Supremo, é uma atividade de fundamental importância para os leigos, que por definição estão em contato mais próximo e direto com as atividades da vida civil, sendo esta a missão específica e insubstituível dada a estes por Nosso Senhor: fermentar na ordem temporal a substância da Doutrina de Cristo, fazendo com que toda e qualquer atividade honesta seja essencialmente elevada ao patamar da Graça. Tal missão, que tomamos humildemente a parte por meio da Liga Cristo Rei, é o máximo de beatitude que se pode ter já nesta vida, que será vivida na medida do possível como uma incoatio da Glória no Céu.

Viva Cristo Rei!

Os castigos de Deus a Paris e Roma pelas suas faltas

Quando abriu a segunda sessão do Concílio Vaticano I (6 de janeiro de 1870), na qual os Padres conciliares pronunciaram a solene profissão de fé, foi comunicada a Dom Bosco uma profecia. O que viu e ouviu, ele o transcreveu de próprio punho:

Paris e Roma, as acusadas, as “efeminadas” e soberbas que viverão dias inquietantes pelas suas faltas. Só Deus sabe tudo, conhece tudo, vê tudo. Deus não tem passado nem futuro. Para ele, tudo é presente como ponto único. Diante de Deus, nada é oculto, e diante dele não existe distância de lugar ou de pessoa. Somente ele, em sua infinita misericórdia e para sua glória, pode manifestar aos homens as coisas futuras.

Na vigília da Epifania do corrente ano de 1870, despareceram todos os objetos materiais do meu quarto e me encontrei meditando em coisas sobrenaturais. Foi coisa de instantes, porém vi muito. Embora de forma e aparências sensíveis, no entanto não se podem comunicar aos outros, a não ser com sinais externos e sensíveis, porém com grande dificuldade. Pode-se ter alguma ideia pelo que segue. Aqui a palavra de Deus se acomoda à palavra humana.

Do Sul vem a guerra, do Norte vem a paz.

As leis da França já não reconhecem o criador, e o Criador fará que ela o conheça e a visitará três vezes com a vara do seu furor.

Na primeira vez lhe abaterá a soberba, por meio de derrotas, saques e com a destruição de colheitas, de animais e homens.

Na segunda vez, a grande prostituta de Babilônia, aquela que os bons suspirando denominam prostíbulo da Europa, se verá privada do seu chefe e tomada pela desordem.

Paris…Paris… Em lugar de te armares com o nome do Senhor, te circundas com casas de imoralidade. Elas hão de ser destruídas por ti mesma. O teu ídolo, o Panteão, será incinerado, a fim de verificar-se que mentita est iniquitas sibi (a mentira é iniquidade para si mesma). Os teus inimigos te lançarão nas angústias, na fome, no terror e como abominação das nações. Mas, ai de ti, se não reconheceres a mão que te fere! Quero punir a imoralidade, o abandono, o desprezo da minha lei, diz o Senhor.

Na terceira vez, cairás em mão estrangeira. Os teus inimigos verão de longe os teus palácios em chamas, tuas habitações reduzidas a um montão de ruínas e banhadas com o sangue de teus heróis que não existem mais.

Entretando, eis que um grande guerreiro do Norte leva um estandarte. Na mão direita que o rege está escrito: Irresistível mão do Senhor. Nesse momento, o Venerando Velho do Lácio lhe foi ao encontro, agitando uma tocha incandescente. Então o estandarte se dilatou e de escuro que era tornou-se branco como neve. No meio do estandarte estava escrito em caracteres de ouro o nome dAquele que tudo pode.

O guerreiro com os seus fizeram profunda inclinação diante do Velho e os dois apertaram as mãos. Agora, a voz do Céu se dirige ao Pastor dos pastores. Tu estás na grande conferência com teus assessores. Mas o inimigo do bem não fica um instante em paz. Ele estuda e pratica todas as artes contra ti. Semeará discórdia entre os teus assessores, suscitará inimigos entre os meus filhos. Os poderes do século vomitarão fogo, e gostariam que as palavras fossem sufocadas na garganta dos guardas da minha lei. Mas isso não acontecerá. Farão mal, muito mal a si mesmos. Tu, acelera; se as dificuldades não se dissolvem, sejam truncadas. Se estiveres entre angústias, não pares, mas continua, até que se corte a cabeça da hidra do erro. Este golpe fará tremer a terra e o inferno, mas o mundo ficará assegurado, e todos os bons hão de exultar. Recolhe pois o teu redor somente dois assessores, mas, por onde fores, continua e termina a obra que te foi confiada. Os dias correm velozes, os teus anos avançam até o número estabelecido, mas a grande Rainha será sempre o teu auxílio e, como nos tempos passado, assim também no futuro será sempre Magnum et singulare in Ecclesia praesidium.

E tu, Itália, terra de bênçãos, quem foi que te afundou na desolação?… Não digas que foram os teus inimigos, e sim os teus amigos. Não ouves que os teus filhos pedem o pão da fé e não encontram quem os queira partir para eles? O que hei de fazer? Surrarei os pastores, dispersarei o rebanho e assim os que se assentam na cátedra de Moisés busquem boas pastagens e o rebanho docilmente o escute e dele se nutra.

Mas sobre o rebanho e os pastores pesará a mão. A carestia, a peste e a guerra farão as mães chorarem pelo sangue dos filhos e dos maridos mortes em terra inimiga.

E de ti, ó Roma, o que será? Roma ingrata, Roma efeminada, Roma soberba! Tu chegaste a tal ponto que já não buscas outra coisa nem admiras no teu Soberano senão o luxo, esquecendo que a glória tua e dele está no Gólgota. Agora ele está velho, caindo, inerte, espoliado, e no entanto, com sua palavra escrava faz tremer o mundo todo.

Roma!… eu voltarei quatro vezes para ti!

Na primeira, sacudirei tuas terras e os que nela habitam.

Na segunda, levarei a destruição e o extermínio até aos teus muros.

E tu ainda não abre os olhos?

Voltarei pela terceira vez, abaterei as defesas e os defensores, e ao comando do Pai entrará o reino do terror, do susto e da desolação.

Mas os meus sábios fugirão e a minha lei continua até agora pisada, e por isso farei a quarta visita. Ai de ti se a minha lei for ainda um nome vazio para ti! Acontecerão prevaricações entre os sábios e entre os ignorantes. O teu sangue e o sangue dos teus filhos lavarão as manchas que tu produziste na lei do teu Deus.

A guerra, a peste, a forme são os flagelos com que será espancada a soberba e a malícia dos homens. Onde estão, ó ricos, as vossas magnificências, as vossas vilezas, os vossos palácios? Tonaram-se lixo das praças e das estradas!

Vós, porém, ó sacerdotes, por que não correis para chorar entre o vestíbulo e o altar, invocando a suspensão dos flagelos? Por que vós não pegais o escudo da fé e não andais sobre os telhados, nas casas, nas ruas, nas praças, em todo lugar também inacessível, para levardes a semente da minha palavra? Ignorais que esta é a terrível espada de dois gumes que abate os meus inimigos e rompe as iras de Deus e dos homens?

Essas coisas deverão inexoravelmente vir uma após outra.

As coisas sucederão muito devagar.

Porém a Augusta Rainha do céu está presente.

O poder do Senhor está nas mãos dela. E ela dispersa como nuvens os inimigos dele. Reveste o Venerando Velho com todas as suas antigas roupagens.

Acontecerá ainda um terrível furacão.

A iniquidade será consumada, o pecado terá fim, e antes que transcorram duas luas cheias do mês das flores o arco-íris da paz aparecerá sobre a terra.

O grande Ministro verá a esposa do seu Rei vestida em traje festivo.

No mundo inteiro aparecerá um sol tão luminoso como jamais houve, desde as chamas do Cenáculo até hoje, nem haverá mais, até o último dos dias.

(Siccardi, Cristina – Dom Bosco Místico apud Lemoyne, Memorie biografiche di don Giovanni Bosco, vol IV, seção LXI § 779-783)

Dom Bosco mandou levar uma cópia desse escrito ao Padre Júlio Barberis (1847-1927), e foi a que este levou consigo a Roma. Outra cópia ele fez que fosse transcrita, algumas semanas depois, pelo Padre Joaquim Berto (1847-1914), secretário confidente do fundador

Página 2 de 812345...Última »

NOTÍCIAS RECENTES

COMENTÁRIOS RECENTES

    ENDEREÇO

    Praça Olavo Bilac, 28 - Sl.1817, Rio de Janeiro, RJ
    CEP: 20010-000
    Website: http://centrodombosco.org
    Email: contato@centrodombosco.org

    Login