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Missa de inauguração

mosteiro_inauguracao2Homilía de Dom Justino (1º de outubro de 2016)
At 2,1-11; Sl 103 (104); 1Cor 12,3b-7.12-13; Jo 20,19-23

+ Caros fiéis em Cristo,

Com essa Santa Missa do Espírito Santo, inauguramos o Centro Dom Bosco, colocando-nos no Cenáculo, no próprio dia da ressurreição. Um pequeno grupo, com pessoas que desejam viver com Cristo e estão conscientes das implicações dessa decisão. Os apóstolos estavam com as portas e janelas fechadas, cheios de insegurança e medo que angustiam o coração deles. Vocês, apesar das incertezas que esse início comporta, estão cheios daquela coragem e certeza que o Espírito Santo, alma da Igreja, lhes dá para assumir a missão no mundo de dar testemunho, difundi e defender com a vida com a palavra e a pena Jesus e sua Igreja.

São João nos mostra que os discípulos estão desamparados, porque estão no meio de um ambiente hostil, sentindo-se, assim, de-sorientados e inseguros. É como se tivessem perdido suas referências e a sua identidade, não sabem, agora, a que se agarrar.Tudo muda quando Jesus aparece “no meio deles”. São João descreve a experiência do encontro com Jesus ressuscitado como uma redescoberta, pelos apóstolos, do seu centro, do seu ponto de referência, da coordenada fundamental à volta do qual eles poderiam levar avante a construção da Igreja iniciada por Jesus e cuja continuação lhes tinha confiado.

Jesus começa por saudá-los, desejando-lhes a paz (shalom, em hebraico). Transmitindo-lhes serenidade, tranquilidade, confiança, Jesus permite-lhes superar o medo e a insegurança e a não deixar que o sofrimento, a morte e nem a hostilidade do mundo possam derrotá-los. E, tudo porque Jesus ressuscitado está “no meio deles”.

Ao mostrar-lhes as mãos e o lado, os “sinais” que evocam a sua entrega da vida e o seu amor oferecido até à última gota de sangue na cruz, Jesus confirma-lhes que sua entrega e seu amor são para sempre, permanecerão com a Igreja, como as chagas permaneceram no seu corpo.

Essas imagens de Pentecostes podem, creio eu, podem muito bem ser aplicadas a esse momento que vivemos aqui. Pelo batismo e pela crisma nos tornamos homens e mulheres habitados pelo Espírito Santo, discípulos de Cristo capacitados a fazer da nossa vida um dom de amor aos outros. Portadores do Espírito, na Igreja, somos chama-dos a testemunhar – com gestos e com palavras – o amor de Jesus. O Centro Dom Bosco deverá ser um lugar de formação espiritual e intelectual, para pessoas que desejam ser instrumentos de Deus e da Igreja nesse mundo neo-pagão que vivemos, pessoas que desejam contrapor-se a esses caminhos de egoísmo e de morte, isto é, de pecado, que são oferecidos aos homens de hoje.

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Para que tal missão seja possível, vocês deverão:

Constituir um Centro cristão, ou seja centrado em Jesus. Jesus é a nossa identidade e a nossa razão de ser. É n’Ele que superamos tudo que nos impede de testemunhar a vida que nasce da Páscoa. NPS Bento diria “nada, absolutamente, anteponham a Cristo” (RB 72,11). Nas família, na paróquia e no trabalho, na liturgia ou no lazer, em todos os momentos e todos os lugares e idades, Jesus deverá ser o modelo de referência para vocês. Tal como os apóstolos de Jesus, os membros do CDB, mesmo fechados entre quatro paredes, deverão estar conectados com o mundo, sem medo e com coragem, para dar testemunho da sua fé. Unidos entorno a Jesus, deverão ultrapassar as suas limitações, para renovar, orientar e animar os católicos e aqueles que estão em busca da verdadeira Igreja fundada por Jesus.

Um estranho ou não cristão, chegando no CDB, conhecendo vocês, entrando em contato com vocês, deverá poder dizer que encontrou e reconheceu em vocês verdadeiros membros do corpo de Cristo – a Igreja? Que os dons que vocês receberam não geram conflitos e divisões, mas servem para a unidade da Igreja? Que o CDB é um espaço de partilha fraterna do tesouro da Tradição da Igreja e não um campo de batalha onde se chocam interesses próprios, atitudes egoístas, tentativas de afirmação pessoal?

Peçamos hoje que o Espírito Santo renove a face a terra, reno-ve cada um de vocês e a vida de vocês. Que aumente, cresça, em cada um de vocês a consciência dessa presença divina: é Ele que nos alimenta, que nos dá vida, que nos anima, que distribui os seus dons conforme as nossas necessidades, é Ele que deve conduzir o CDB, a vida de cada um de vocês. Tenham consciência dessa presença do Espírito e procurem ouvir a sua voz e perceber as suas indicações.

“O mundo tem necessidade de homens e mulheres que não estejam fechados, mas repletos de Espírito Santo. Para além de falta de liberdade, o fechamento ao Espírito Santo é também pecado. O mundo necessita da coragem, da esperança, da fé e da perseverança dos discípulos de Cristo. O mundo precisa dos frutos, dos dons do Espírito Santo, como elenca São Paulo: “amor, alegria, paz, paciên-cia, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” (Gl 5, 22). O dom do Espírito Santo foi concedido em abundância à Igreja e a cada um de nós, para podermos viver com fé genuína e caridade operosa, para podermos espalhar as sementes da reconciliação e da paz. Fortalecidos pelo Espírito – que guia-nos para a verdade, que nos renova a nós e à terra inteira – fortalecidos no Espírito e por estes múltiplos dons, tornamo-nos capazes de lutar sem tréguas contra o pecado, contra a corrupção que dia a dia se vai estendendo sempre mais, e dedicar-nos, com paciente perseverança, às obras da justiça e da paz” (Papa Francisco).

Por fim, já que vocês escolheram Dom Bosco para dar nome e ser o patrono do Centro, creio que seria de bom ouvir um resumo do sonho que ele teve:

“Me parecia que estava sobre um grande rochedo, rodeado pelo mar imenso, agitado pelo bramido e estrondos de uma terrível tempestade…

Eu vi, saindo desta borrasca enorme, o navio de grande tamanho e no seu bordo o Papa, os Cardeais, os Bispos e Sacerdotes com seu Povo. Em toda aquela vasta superfície de águas, eu vi uma multidão incontável de navios pequenos e grandes, dispostos em ordem de batalha, armados com canhões e cheios de fuzis, de armas de todo o tipo, de material inflamável e também de livros.

Esses navios avançaram contra aquela maior e mais alta que todas as outras, tentando chocar-se contra ela e incendiá-la, para fazer qualquer estrago possível. O mar agitado parece favorecer os atacantes… Em uma das ofensivas eu vi, que foi atingido também o Papa e ficou gravemente ferido perdendo muito sangue…

No meio da imensa extensão do mar, eu vi elevar-se em meio as on-das DUAS ROBUSTAS COLUNAS, pouco distantes uma da outra. No cimo de uma poderia se ver instalada a estátua da Virgem Imaculada Maria, a cujos pés foi pendurado um grande cartaz com esta inscrição: AUXÍLIO DOS CRISTÃOS. Sobre a outra, muito mais alta e de maior diâmetro, está uma HÓSTIA de grande proporção, e abaixo havia um cartaz com as palavras: SALVAÇÃO DOS CRENTES…

A borrasca volta espantosa e o Papa que estava ao leme do navio dirigia todos os seus esforços para que o seu navio fosse adiante, até que pudesse ancorar entre essas duas colunas… Nesta luta terrível morre o Papa. O novo Papa, superando todos os obstáculos, dirigindo a na-ve corajosamente, põe-se entre as duas colunas. Então sucede uma mudança total: fogem as naus inimigas, se extraviam, se chocam entre si e se despedaçam ou afundam…

No mar reina agora uma grande calma. As naus que combateram valorosamente a favor do Papa, vêem também elas e se amarram junto às duas colunas, reconhecendo que a salvação recebemos pela devoção a Maria Santíssima e Jesus Misericordioso na Eucaristia”.

O título de Nossa Senhora Auxiliadora está ligada à batalha de Lepanto, na qual a Igreja lutou contra os infiéis, que queriam invadir a cristandade. Dom Bosco escolheu esta devoção porque num tempo no qual se ensina muitas coisas erradas, heresias, doutrinas contrárias à Igreja, nós precisamos de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos para que ela nos mantenha na verdadeira fé.

Portanto, neste tempo de incertezas, nos quais a Igreja é ataca-da com heresias e falsas doutrinas, o CDB deverá apegar-se a Nossa Senhora Auxiliadora, à celebração da Eucaristia e aos ensinamentos do Santo Padre, o Papa, como fez e ensinou Dom Bosco. Como esse grande santo, nestes tempos difíceis em que vivemos, vocês se confiem à proteção de nossa Maria Auxilium Christianorum e de S. João Bosco, para que por eles, vocês sejam educados para a santidade.  +

O filósofo com os inimigos da verdade a seus pés

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Do ponto de vista espiritual, pisar, esmagar, pôr sob o escabelo dos pés, é uma imagem que em geral representa a vitória do bem sobre o mal, da verdade sobre o erro. Assim, diz-se que Maria esmagou a cabeça da serpente, por exemplo. Levando isto em conta, as iconografias acima mostram Santo Tomás literalmente pisando em Averróis, que, deitado, segura numa delas a inscrição sapientiam autem non vincit malitia (Sab. VII, 30). Nessa imagem, ao lado do Aquinate estão as quatro virtudes cardeais, chamadas pelo Angélico de principalíssimas: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança — sendo a Prudência uma virtude supracapital, na medida em que as demais não podem existir sem ela. Entre os vários significados implicados na pintura está o de que a sabedoria, se não estiver acompanhada das virtudes cardeais, não pode vencer a malícia nem os erros, razão pela qual, como se demonstrou dialeticamente noutro texto, não é lícito ao filósofo ser um boca-suja de linguagem torpe, quando se trata de refutar teses errôneas de qualquer espécie, em qualquer ocasião, fazendo uso de qualquer veículo de comunicação, em qualquer lugar — seja num programa de auditório entre rufiões ou na defesa magistral de uma tese, ao lado de grandes catedráticos. Isto porque a filosofia é uma qualidade adquirida pela alma, e não um ofício acadêmico a ser exercido em situações excepcionais…

A significação de tal símbolo ganha maior inteligibilidade se o remetemos a uma premissa da filosofia tomista acerca do papel do sábio, que é duplo: 1- ordenar as coisas a seus fins devidos; e 2- combater os erros. Em resumo, é próprio da filosofia (e sobretudo da filosofia cristã, que labora sob a luz da fé e, portanto, da sabedoria divina) atacar os erros, porque, ao fim e ao cabo, eles acabam sendo contrários não apenas às verdades na matéria em que se dão, mas também contrariam a Verdade que é a fonte de todas as demais verdades: Deus.

Entre os erros, os que contrariam direta ou indiretamente as verdades da fé são os mais daninhos, pois afastam formalmente o homem de Deus. Não por outro motivo, os grandes teólogos e o Magistério da Igreja (quando não se vexavam de defender a verdade, mesmo à custa do martírio) sempre foram zelosíssimos no combate a erros não apenas teológicos, mas também filosóficos, porque sabiam que eles não podem ter cidadania, sob pena de transformar a comunidade humana num tragicômico arremedo de Pólis, num conglomerado de almas desgovernadas e sem Deus, ou, em suma, naquilo que Santo Agostinho chamava de “Cidade do Amor Próprio”, onde o demônio faz e desfaz.

No caso de Averróis e de seus sequazes, o erro que fez Santo Tomás perder a sua santíssima paciência foi o do único intelecto possível para todos os homens, dadas as implicações de tal inverdade — que afetavam a fé num ponto nevrálgico, o qual não vou abordar neste breve texto porque o propósito aqui foi o de tão-somente nos remeter a esta imagem: o sábio vence o falso sábio (poder-se-ia dizer: o filósofo vence o sofista) com as armas não apenas da inteligência, mas também das virtudes a cujo influxo se abriu, pela graça de Deus.

Texto: Contra Impugnantes

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